Lia Midori Meyer Nascimento (UFBA)

Título: RACIALIZAÇÃO DA ANEMIA FALCIFORME: UMA ABORDAGEM PARA A PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E DE UMA COMPREENSÃO CRÍTICA EQUILIBRADA DA CIÊNCIA NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE BIOLOGIA
 
Discente: Lia Midori Meyer Nascimento
Orientador: Juan Manuel Sánchez Arteaga
Coorientador: Charbel Niño El-Hani
Debatedor(a): A definir
 
Resumo: A anemia falciforme, doença hereditária monogênica mais comum no Brasil, vem sendo associada ao corpo negro desde a sua descrição, em 1910, sendo considerada uma “doença de negros” ou “doença africana”. Essa associação, no passado, legitimou a crença de que afrodescendentes eram transmissores de doenças, e justificou a marginalização de portadores do traço e da anemia falciforme. Na atualidade, o discurso biomédico de associação racial com a doença, além do forte potencial estigmatizador, pode trazer à tona uma nova eugenia, através do aconselhamento genético inadequado. O exame crítico desse discurso pode ser utilizado como uma estratégia de superação de visões estereotipadas de superioridade e inferioridade biológica entre determinados grupos humanos, e contribuir para a promoção da educação das relações étnico-raciais. Além disso, contextualizar esse discurso a partir do exame da história do racismo científico e de uma abordagem CTS, possibilita compreender que as relações entre os processos sociais de marginalização de grupos humanos e os discursos ou práticas científicas estão submersos em uma matriz sócio-política-histórica-ideológica complexa, sendo esta uma compreensão importante para se fazer uma crítica equilibrada da ciência. Diante dessa problemática, este projeto tem como objetivo validar os princípios de desenvolvimento de uma sequência didática sobre a racialização da anemia falciforme, a partir de uma abordagem CTS e da história do racismo científico, que promova a educação das relações étnico-raciais e uma compreensão crítica equilibrada da ciência, no contexto da formação de professores de Biologia.