Victória Flório Pires de Andrade (UFBA)

Título: VENDEDORES DE ESTRELAS: RECEPÇÃO DE IDEIAS SOBRE A EXISTÊNCIA DE OUTRAS GALÁXIAS PELA GRANDE MÍDIA, NO EUA, DÉCADA DE 20
 
Discente: Victória Flório Pires de Andrade
Orientador: Olival Freire Júnior
Debatedor(a): A definir
 
Resumo: Existem outros mundos além da Via Láctea? "[...] Ninguém sabia antes de 1900. Muito poucos sabiam em 1920. Todos os astrônomos sabiam em 1924” Assim se resume o estabelecimento e o desfecho da controvérsia sobre o que eram as galáxias e sobre a existência de outras galáxias além da Via Láctea, que se materializou como um debate público entre os astrônomos norte-americanos Harlow Shapley e Heber Curtis, em abril de 1920, em Washington, EUA. O entendimento do público sobre a questão também passou por mudanças e, nesta tese, analisamos exatamente como foi a recepção dessas novas ideias pela divulgação e ficção-científica (EUA, 1920 - 1930). O debate foi extensivamente discutido por historiadores da ciência quanto ao conteúdo das teorias científicas e a discussões na comunidade de astrônomos daquela época. Acreditamos que a análise sobre como a ciência se apresenta na cultura popular - com uma perspectiva histórica - pode fornecer elementos interessantes para entender mais sobre ciência, especialmente em momentos de controvérsia. Nesse sentido, encontramos uma lacuna a ser preenchida quanto à recepção das ideias discutidas por Shapley e Curtis na literatura de divulgação e ficção-científica. A recepção das ideias discutidas por Shapley e Curtis está inserida em um contexto de legitimação da autoridade da ciência  - naquela época, havia tensão entre ciência e literatura -, e de expansão da mídia - que passava por modificações e adequações de formato para atrair novas audiências -, dando origem a um novo mercado: o das notícias sobre ciência. Trata-se de uma era de ouro para a astronomia, um período conturbado na história norte-americana e mundial, com o entre-guerras, a expansão do mercado de consumo. Acreditamos que, através da astronomia - por sua abertura filosófica, e também pelo uso da imaginação -, construiu-se uma ponte entre ciência, divulgação científica e literatura de ficção-científica.
Português, Brasil